Monte Roraima fotografado por Fred Schiffer
Fotógrafo inaugura exposição com 27 painéis do Monte Roraima, dia 7 de dezembro, no Forte de Copacabana.
Localizado na Serra de Pacairama, o Monte Roraima ocupa uma área ao sul da Venezuela, extremo Norte do Brasil e Oeste da Guiana. Esta formação rochosa faz parte de um terreno que, juntamente com centenas de outros montes, é conhecido por Tepuis. Estima-se que tenha mais de dois bilhões de anos e que seu aparecimento se deu antes mesmo da formação dos continentes. Uma das características mais curiosas da região é sua forma de mesa que compreende uma área plana de 90 Km. Esta configuração permite o escoamento das águas em inúmeras cachoeiras daí o nome indígena, na parte venezuelana, de Monte da Mãe das Águas.
"Monte Roraima, a montanha sagrada" é o resultado de uma viagem feita em fevereiro de 2010 até a comunidade indígena de Paraitepuy, localizada no Parque Nacional Gran Sabana, na Venezuela. Com mais de 2.700 mil metros de altitude, a chegada ao monte sem equipamentos de escalada se dá apenas por este lado.
Em 10 dias de trabalho, Fred Schiffer registrou o Monte Roraima em suas diversas faces e sob todos os tipos de variações climáticas que existem na região. Segundo o fotógrafo, "tomei todos os cuidados para não perder minhas fotos, em face da variação de temperatura no alto do Monte Roraima. Sem a possibilidade de carregar as baterias da câmera, este foi um projeto que necessitou, desde o início, de um senso de planejamento e organização fora do comum. Os ventos de até 60 km/h exigiram ainda agilidade na troca de lentes, na mudança repentina de velocidade, já que o sol dava lugar a nuvens e temporais em questão de segundos".
Os índios em Paraitepuy falam espanhol, vivem da caça e da agricultura de subsistência. Um fato interessante é a produção do Caxiri, espécie de "cerveja" com baixo teor alcoólico feita de tubérculos e frutos da região amazônica. Representantes da tribo foram fotografados produzindo e consumindo a bebida.
A região é única também em relação à flora e fauna que foram exaustivamente registradas por Schiffer que teve o pé quebrado numa das fendas do Monte. Com uma tala foi possível continuar o trabalho: "Foi inacreditável, a ponto de pensar que o respeito à montanha estava escrito há milênios. Não tinha como interromper o meu projeto apesar da dor. Fotografei as imagens que os deuses permitiram”, conclui Fred Schiffer.
Os 27 painéis medindo entre 2,5m por 4,0m fazem parte da exposição "Monte Roraima, a montanha sagrada" que será inaugurada dia 7 de dezembro, terça-feira, às 19h, no Salão de Exposições Temporárias do Forte de Copacabana, Posto Seis. A exposição fica em cartaz até o dia 2 de janeiro, de terça a domingo, das 10 às 19 horas.
Serviço.
“Monte Roraima: A Montanha Sagrada”, do fotógrafo Fred Schiffer
De 07 de dezembro a 02 de janeiro
Forte de Copacabana – Salão de Exposições Temporárias– Posto 6, Copacabana
Tel: (21) 2287-3781
Horário: Das 10 ás 19h, de terça a domingo.
Valor: R$ 2,00
www.fortedecopacabana.com
Outras informações:.
Affaires Publiques Comunicação
21 3325 1110 / 3325 1120
Carla Bruzzi – 21 9973 1145
Claudia Carvalho – 21 9913 3702
Fotografias de Fred Schiffer sobre o Monte Roraima chegam ao Forte de Copacabana - Crônica de Alberto Corona.
O Ministério da Saúde Adverte: fotografar no Monte Roraima pode causar fraturas, doenças, noites em claro, liberdade e surpreendentes fotos para a exposição fotográfica “Roraima, a Montanha Sagrada”, de Fred Schiffer, que desvendou novos mistérios dessa região do país, entre Venezuela e Guiana, em fevereiro de 2010. Os 27 painéis (de 2,50m a 4m) já estão prontos para serem vistos de 7 de dezembro a 2 de janeiro, no Forte de Copacabana, Salão de Exposições Temporárias, no Posto Seis (RJ). Entrada: R$2,00.
Poucos homens se arriscariam a fazer o que esse Indiana Jones da fotografia conseguiu em apenas 10 dias, mesmo tendo sofrido uma fratura no pé, no último estágio de ascensão ao topo de 2.739m, sob temperaturas que variavam de zero a 38º graus no mesmo dia. O coquetel de inauguração acontece às 19h. Acesse o site da exposição e aproveite para ver algumas fotos em alta resolução.
A dois passos do paraíso - Ao conversar com Fred, após a viagem, ouvi sua história a respeito do trajeto Rio de Janeiro/Boa Vista. Descobri que seu percurso ainda o obrigaria a utilizar jipe, por 2,5h de estrada asfaltada, pela BR 174, até Santa Elena Uairén. E não parou por aí. Faltavam mais 68 km até a comunidade indígena de Paraitepuy, localizada no Parque Nacional Kanaima, no município de Gran Sabana, na Venezuela. Finalmente, Fred ainda precisava subir, subir, subir, subir...e subir. Já no alto do Monte Roraima, nosso fotógrafo alpinista só lembrava de um sucesso da Blitz: “A Dois Passos do Paraíso”, de Evandro Mesquita e Ricardo Barreto. A mais de 2 mil metros de altura, a letra tinha tudo a ver com esse momento: “Longe de casa/Há mais de uma semana/Milhas e milhas distante/Do meu amor/Será que ela está me esperando/Eu fico aqui sonhando/Voando alto/Perto do céu...”, confirma o inquieto diretor de marketing da Unigranrio, desdobrando-se em seu lado confessional.
Imagens que traduzem a força do Hino de Roraima - Sem lenço e com poucos documentos, Fred estava próximo às "mesas" do Monte Roraima, num de seus estágios, sem suas ferramentas diárias: YouTube, blogs, fotologs, celular, redes sociais. Nosso Indiana Jones se esqueceu das tecnologias habituais depois que descortinou sua íris pelas montanhas, rochas que lembram ruínas, cachoeiras, rios, piscinas naturais, igarapés, terrenos acidentados, aldeias, lagos, savanas, bromélias, flores das mais variadas e, naturalmente, turistas. Fred Schifffer destacou um trecho do Hino de Roraima, que ficará marcado em sua mente: “Tua flora, o minério e a fauna/São riquezas de grande valor/Tuas águas são limpas, são puras/Tuas forças traduzem vigor”.
Carregamento básico na mochila - Para alcançar o sétimo ponto mais elevado do país, por lugares intocados e mágicos nas savanas, Fred Schiffer descartou alguns mandamentos listados pelos guias e agentes de turismo de Boa Vista, porque sua preparação física e senso de organização já faziam parte do green card para o acesso à montanha. Fred, acompanhado por um cozinheiro da comunidade de Paratepuy e por um guia local, percorreu as trilhas e subidas rumo à formação rochosa de aproximadamente 2 bilhões de anos, com mochila repleta de coisas básicas: máquina fotográfica, água, saco de dormir, remédios, cartão de vacina contra febre amarela, passaporte, energéticos, lanches, frutas desidratadas, isolante térmico e sacos plásticos.
Pé quebrado a mais de 2 mil metros de altura - O ‘Fred de Botas’ foi surpreendido pela fauna e flora da região. Cobras e lagartos à parte, nosso desbravador das boas imagens foi pego numa das curvas, digo, fendas traiçoeiras próximo às rochas escuras. De pé quebrado, Fred pensou em duas coisas: ser retirado de lá de helicóptero, ou continuar sua peregrinação em busca das fotos que faltavam, com apoio, literalmente, de seus guias. Alguém arrisca um palpite? Pois ele fez uma tala e improvisou imobilização com a própria bota. O resultado das fotos você vê na exposição, apesar do sufoco com a convivência de dores e do uso de remédios. A volta á civilização se fazia necessário, mas Fred concluiu sua fotos com bravura, ensinamentos indígenas e muita fé em Deus. E ele, que já tem uma lista enorme de pedidos, atendeu às preces de nosso amigo Fred, talvez por ele estar nas alturas, bem mais perto do céu. Freud explica, enquanto Fred fotografa.
Fotografei as imagens que os deuses permitiram – Entre tantos avisos e advertências, os fotógrafos ainda precisam ficar atentos a inconvenientes que podem prejudicar o trabalho de documentação digital. A variação de umidade e de temperatura pode ocasionar o travamento de uma máquina desse tipo. “Tomei todos os cuidados para não perder minhas fotos, em face da variação de temperatura no alto do Monte Roraima e de olho nas baterias, já que não tínhamos como recarregá-las. Mais uma vez, a poderosa Nikon D2xs resistiu ao tranco. Fotografar o Monte Roraima foi um ato movido por muita paciência, persistência, resistência e coragem. Os ventos de até 60 km/h exigiram de mim agilidade na troca de lentes, na mudança repentina de velocidade, já que o sol dava lugar a nuvens e temporais em questão de segundos. Foi inacreditável, a ponto de pensar que o respeito à montanha estava escrito há milênios. Fotografei as imagens que os deuses permitiram”, concluiu Fred Schiffer.
Operadoras de turismo genéricas…e perigosas - Apesar de as operadoras brasileiras explorarem o turismo ao Monte Roraima de forma sustentável, as empresas venezuelanas não têm o mesmo cuidado. Elas colocam em risco a vida de turistas e não respeitam os mandamentos mínimos de segurança. “É comum, segundo soube, haver acidentes, gente perdida e roubo de riquezas naturais, como do quartzo (que não tem valor qualquer), porque os responsáveis por operadoras venezuelanas não são sérias”, denuncia Fred Schiffer.







